Assistência 24h0800 649 0300Comercial (41) 4042-9748 · segunda a sexta, das 8h às 18hRevista UBTrabalhe conosco
Assistência 24h · 0800 649 0300
UB Proteção Veicular
← Voltar para o blogCuriosidades

Os problemas do petróleo

Da crise de 1973 ao petrodólar e ao desastre da Deepwater Horizon: por que o petróleo ainda move e trava o mundo.

Equipe UB · · 12 min de leitura

O petróleo é um óleo formado pela decomposição de matéria orgânica, principalmente algas, entre 252 e 66 milhões de anos atrás. Soterrado por eventos geológicos, está a quilômetros de profundidade na crosta terrestre. Até onde se sabe, o Oriente Médio é a região do globo que mais concentra jazidas, e por isso mesmo já foi palco de guerras por esse recurso.

Registros históricos apontam que os mesopotâmicos usavam petróleo há mais de 6 mil anos para pavimentar ruas. Sua importância ganhou outra dimensão depois da Revolução Industrial, quando subprodutos como gasolina, querosene e gás se mostraram combustíveis eficientes para motores de combustão interna.

Ilustração de mesopotâmicos usando petróleo
Ilustração de mesopotâmicos usando petróleo

A crise do petróleo. Foi o evento que impactou diretamente o preço do barril. A escalada causou falta de abastecimento nos postos e um encarecimento sem precedentes dos combustíveis no mundo todo. Longas filas se formavam por horas a fio, todos os dias, esperando o posto ser abastecido. Outra parte da população simplesmente abandonou seus V8s, porque o consumo inviabilizava o uso.

Filas de carros aguardando abastecimento durante a crise
Filas de carros aguardando abastecimento durante a crise

Em 1973 estourou a Guerra do Yom Kippur, um ataque a Israel feito por Síria e Egito. Foram 18 dias de batalhas intensas com mortes de todos os lados. Os Estados Unidos, sob o governo de Richard Nixon, decidiram apoiar Israel com fornecimento de armas. Liderados pela Arábia Saudita, os países exportadores de petróleo impuseram embargos contra os Estados Unidos e outras nações vistas como apoiadoras de Israel, entre elas Canadá, Holanda, Reino Unido, Japão, África do Sul e Portugal. Estava iniciada a crise.

Mísseis soviéticos equipavam as forças sírias e egípcias
Mísseis soviéticos equipavam as forças sírias e egípcias

Foi a maneira que o Oriente encontrou de forçar uma reconsideração do posicionamento político sobre o conflito, e deu muito mais poder aos países exportadores. Naquele período, em apenas um mês, o barril saltou de 3 para 12 dólares, empurrado por alta demanda e baixa oferta. A década de 1970 foi marcada por uma adaptação lenta e sofrida das nações embargadas, enquanto potências como Irã, Venezuela, Nigéria e Líbia se beneficiavam do custo mais alto da commodity.

Petrodólar. O termo resume a dinâmica de comércio entre quem compra o óleo, em dólares, e quem vende. Foi criado por um professor de economia da Universidade Georgetown em 1973 para explicar não só a crise da época, mas o acordo entre o governo Nixon e a Arábia Saudita.

Depois da Segunda Guerra, o Sistema de Bretton Woods foi firmado para estabilizar a economia global. O dólar foi escolhido como moeda de referência, com valor atrelado ao ouro. Em 1971, Nixon encerrou esse padrão, motivado principalmente pelo endividamento causado pela Guerra do Vietnã, o que levou à desvalorização da moeda. Para mantê-la valorizada, em 1974 o secretário de Estado Henry Kissinger fechou um acordo com a Arábia Saudita: vender petróleo exclusivamente em dólar e investir as receitas no Tesouro dos Estados Unidos. Outras nações exportadoras seguiram o mesmo caminho.

Quais são os principais problemas? Cerca de 35% de toda a energia elétrica da Europa vem de termelétricas que queimam petróleo, e 24% de usinas a gás. Nos Estados Unidos, 43% vem da queima de gás natural, um subproduto do petróleo. Fica evidente por que o petróleo está entre as commodities mais buscadas do mundo.

Termelétrica movida a combustível fóssil
Termelétrica movida a combustível fóssil

O problema é a escala da queima: em 2023 foram lançadas cerca de 37 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, gás responsável pelo efeito estufa e por problemas ambientais graves como o aumento da temperatura do planeta, a elevação e acidificação do mar e a perda de biodiversidade. Em 2024, segundo o Global Carbon Project, a média deveria bater recorde e chegar a 37,4 bilhões de toneladas.

Por isso se discute cada vez mais a economia verde, a ideia de conciliar a indústria global com menor impacto ecológico. Carros elétricos são apontados como substitutos dos veículos a combustão, mas não resolvem o problema por inteiro: quando são espetados na tomada na maior parte do globo, a energia que os abastece ainda vem de combustíveis fósseis.

Hidrelétricas são a fonte mais viável no Brasil, um país de riqueza fluvial, mas essa não é a realidade do resto do mundo. A Europa não tem esse recurso em abundância, e a China, apesar da monumental represa das Três Gargantas, não consegue abastecer seu complexo industrial só com água.

O conflito entre Rússia e Ucrânia escancarou a dependência de combustíveis fósseis concentrados em poucas nações produtoras. A explosão dos gasodutos submarinos Nord Stream 1 e 2 desestabilizou a indústria de energia alemã: o primeiro chegou a fornecer 40% do gás consumido pela União Europeia, enquanto o segundo sequer havia entrado em operação.

Vazamento de gás após a explosão do Nord Stream 1
Vazamento de gás após a explosão do Nord Stream 1

Antes da explosão, um caso já havia chamado a atenção do mundo. Uma das turbinas responsáveis por empurrar o gás passava por manutenção no Canadá e, em meio ao conflito, os canadenses decidiram não devolver o equipamento como forma de embargo. Depois, Alemanha e Rússia pediram que o Canadá reconsiderasse, e a turbina acabou devolvida. O episódio abriu uma discussão ampla sobre o gás sendo usado como arma por Moscou.

A dificuldade de substituir o petróleo é também uma barreira tecnológica. As usinas nucleares são as candidatas mais fortes, capazes de gerar quantidades gigantescas de energia sem poluir e com pouco resíduo, que pode ser armazenado com segurança. Mas o acidente de Chernobyl, em 1986, ainda é um trauma do setor, e o medo dessas instalações trava seu avanço.

Vazamentos. Tirar petróleo do subsolo exige engenharia e tecnologia extremamente especializadas e, mesmo com todo o cuidado, grandes vazamentos não são raros. Em 1979, cerca de 3 milhões de barris vazaram no Golfo do México após a explosão e o colapso de um poço da plataforma Ixtoc I. Em 1991, entre 6 e 8 milhões de barris foram despejados no Golfo Pérsico: durante a Guerra do Golfo, tropas iraquianas abriram válvulas propositalmente para lançar o petróleo kuwaitiano no oceano como tática de guerra.

A Deepwater Horizon antes e durante o incêndio
A Deepwater Horizon antes e durante o incêndio

Deepwater Horizon. O pior desastre ambiental aconteceu em 2010, no Golfo do México, e liberou cerca de 5 milhões de barris direto no fundo do oceano. Ao menos 150 baleias e golfinhos morreram e 75% dos golfinhos-nariz-de-garrafa apresentaram problemas de saúde. Milhões de peixes morreram, desequilibrando a cadeia alimentar, e metade dos corais próximos ao evento foi perdida. Fotos de aves cobertas de petróleo rodaram o mundo; ao todo, cerca de 1 milhão de aves morreram.

A plataforma era operada pela Transocean e pela British Petroleum, ambas multadas em bilhões de dólares. A causa foi uma falha no Blowout Preventer, equipamento que impede o vazamento durante a perfuração, funcionando como um portão que fecha o poço ao detectar problema. Uma pressão inesperada de petróleo e gás superou a capacidade da máquina. Um relatório apontou ainda que o equipamento não havia passado por manutenção e testes adequados e que falhas potenciais já existiam. O impacto sobre o bioma, o turismo e a pesca foi inestimável.

Falar com a UB