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Golpe em revenda de carros: como se proteger

Hodômetro adulterado, solda refeita e laudo falso: como identificar as fraudes mais comuns na compra de um usado.

Equipe UB · · 7 min de leitura

Comprar um veículo é um momento aguardado por muita gente. Só que é preciso estar atento às más práticas de mercado para não cair em um golpe. Vale dizer: nem todas as revendas fazem esse tipo de coisa. É uma minoria, mas que causa um enorme impacto.

Segundo publicação do Click Petróleo e Gás, cerca de 30% de todos os veículos seminovos ou usados comercializados no Brasil têm o hodômetro adulterado. A prática é simples e criminosa: a loja compra o carro abaixo do mercado por causa da alta quilometragem, adultera o marcador e revende por um valor maior, afirmando que é um carro pouco rodado.

O problema é agravado pela facilidade de fazer a mudança. Na era dos hodômetros analógicos, bastava desmontar o painel e girar os marcadores. Com os digitais, ficou ainda mais fácil, dá para fazer tudo por aplicativo. Em casos de uso mais acentuado, itens desgastados como volante, manopla de câmbio e pedais são substituídos para mascarar a rodagem.

Qual o problema? Cada componente do veículo tem uma vida útil e precisa ser substituído em determinadas quilometragens para manter a segurança dos passageiros. Quando o consumidor compra um automóvel adulterado, as peças foram usadas por muito mais tempo do que ele imagina e quebras inesperadas podem acontecer. Vale lembrar que alta quilometragem não é sinônimo de carro problemático: depende do cuidado que ele recebeu.

Soldas de fábrica seguem um padrão difícil de replicar à mão
Soldas de fábrica seguem um padrão difícil de replicar à mão

Dá para confiar nas soldas e selos originais? A solda de fábrica é feita por robôs industriais, com precisão e uniformidade nos pontos, num padrão difícil de reproduzir manualmente. As montadoras ainda aplicam selantes, revestimentos e tintas especiais que ajudam a diferenciar reparos improvisados. Golpistas tentam imitar esses padrões com métodos simples, como a ponta de uma borracha de lápis, mas deixam sinais de irregularidade — espaçamento inconsistente, acabamento diferente.

O problema é que alguns funileiros conseguem deixar a cópia da solda esteticamente muito próxima da original, a ponto de um laudo cautelar não constatar o reparo. O laudo pega a repintura, que é bem mais evidente, mas nem sempre atesta se ela veio de uma colisão ou de um simples retoque por desbotamento.

Fraude em laudos. O crime pode se estender para os próprios laudos, normalmente de três maneiras: laudo falso com empresa também falsa, laudo falso usando o nome de uma empresa verdadeira, ou um laudo antigo, anterior a alguma condição do veículo, como uma colisão. Uma forma de filtrar esses casos é pesquisar a empresa que emitiu o documento, entrar em contato para confirmar a veracidade e, no melhor cenário, contratar um laudo próprio.

No test drive o carro revela vícios, barulhos e comportamentos estranhos
No test drive o carro revela vícios, barulhos e comportamentos estranhos

Test drive. É uma etapa importante da compra. Nele o carro revela vícios, problemas, barulhos e comportamentos estranhos. Vale dirigir em diferentes tipos de via, como asfalto e paralelepípedo, além de passar em lombadas, que exigem robustez estrutural. Se você não entende de carro, e não há problema nenhum nisso, leve alguém de confiança que entenda ou contrate um mecânico ou avaliador.

Inspeção nas partes escondidas. Olhar a parte de baixo do automóvel no elevador ou na rampa entrega bastante coisa: soldas, emendas e outros sinais de que o carro passou por reparos.

Venda de carro roubado ou furtado. Em alguns casos, é oferecido um carro roubado que veste itens de outro veículo do mesmo modelo, ano e cor. Funciona assim: o criminoso compra em leilão um carro completamente destruído, digamos um Gol vermelho 2016, que quase não tem valor. Depois compra um Gol vermelho 2016 roubado e transfere para ele as placas e os itens que trazem o número do chassi do carro acidentado. Aí vende o carro roubado com a documentação do outro. O comprador leva o veículo sem saber de nada, mas pode responder por receptação. Por mais estranho que pareça, é mais comum do que se imagina.

Comprei e só depois vi a fraude. Pode acontecer de o proprietário notar sinais de adulteração só depois da compra. É possível denunciar mesmo após o uso, porque os sinais permanecem lá, mas fica mais difícil provar que eram anteriores à negociação. Se identificar que uma loja está cometendo fraude, dá para denunciar anonimamente pelo 181 ou pelo site www.181.pr.gov.br.

Um detalhe que quase ninguém considera: a compra de um carro é um momento extremamente emocional. É esse o principal motivo que faz a pessoa aceitar parcelas de financiamento muito mais altas do que pretendia ao entrar na loja. Num primeiro olhar de alguém não treinado, todo carro parece perfeito. Como ele vai te acompanhar por anos, é o estado real de conservação que vai determinar se serão anos tranquilos ou turbulentos.

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